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Mais Imigrantes Poloneses - Revista CARTUM INTERATIVA nº 171.

  Os primeiros imigrantes polacos no Brasil, mais especificamente em Brusque, haviam chegado em 1869. Destes, a maioria transmigrou para o estado do Paraná.

Vinte anos depois, de 1889 a 1891 ocorreu a “febre emigratória brasileira”, uma emigração maciça de poloneses para o Brasil. O movimento foi motivado, principalmente, pela crescente superpopulação do campo e pelo agravamento dos problemas sociais e econômicos na Polônia. 

FONTE de pesquisa:

"Brusque: 153 Anos de Imigr.Polonesa no Brasil" (artigo de Rosemari Glatz, publicado no Jornal Município em 19/08/2022)

"O VOO DA ÁGUIA: 150 anos de imigração polonesa no Brasil" (Rosemari Glatz).

"Uma Geografia (e Outras Histórias) para os Polacos" (Maria do Carmo Ramos Krieger)

 Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)



Entre 1889 e 1891, chegaram mais imigrantes poloneses no Brasil. A maioria das pessoas que emigraram nesta época viviam nos territórios que, após as Partilhas da Polônia, couberam aos Impérios Russo e Austro-Húngaros. Eram principalmente agricultores, com famílias e até aldeias inteiras emigrando. O agravamento dos problemas sociais e econômicos na Polônia, combinado com essa propaganda feita em torno do Brasil ser uma “terra de oportunidades”, impulsionou a emigração maciça de poloneses para o Brasil. 

Por aquele tempo, houve uma queda no preço dos cereais na Polônia, o que levou agricultores a se endividarem e muitos a venderem as suas terras. Além disso, o governo brasileiro fazia uma campanha, especialmente através de agências de navegação, para atrair imigrantes. 

O agravamento dos problemas sociais e econômicos na Polônia, combinado com essa propaganda feita em torno do Brasil ser uma “terra de oportunidades”, impulsionou a emigração maciça de poloneses para o Brasil. 

Em Brusque, porém, os agricultores foram uma minoria. A maior parcela dos imigrantes poloneses que chegou no final do século XIX veio de importantes centros têxteis, como Lódz, e tinha formação técnica. Conhecedores do ofício da tecelagem, eles contribuíram decisivamente para que a cidade se tornasse o “Berço da Fiação Catarinense”. 

Receberam lotes agrícolas na localidade chamada Sternthal (Guabiruba Norte), no ponto mais remoto do recém criado município de Brusque. 

Os tecelões tiveram que deixar a Europa em virtude da crise na indústria têxtil que deixara muitos operários desempregados.

A este grupo vindo de Lódz, a cidade de Brusque deve seu batismo como “Berço da Fiação Catarinense”, pois eles transformaram uma colônia agrícola em um distrito industrial,  iniciando uma atividade têxtil, com o patrocínio de Carlos Renaux, construindo maquinário de forma rústica e treinando os colonos que quiseram ser operários.



Três condições foram necessárias para isso: o patrocínio dos comerciantes no projeto; a potencialidade de um mercado consumidor na região e a existência de mão-de-obra aproveitável entre os agricultores. Somando a isso a equipe técnica extremamente capacitada fornecida pela Polônia alavancando o desenvolvimento no cenário local.

Entre os recém chegados, estavam Gustavo Schlösser, acompanhado de sua esposa Nathalie e de seus filhos Hugo e Adolfo, os quais viriam a fundar a terceira grande empresa do ramo têxtil em Brusque: “Gustavo Schlösser e Filhos”, que depois se tornou a Cia. Industrial Schlösser.

Estima-se que atualmente existam cerca de 1,5 milhão de descendentes de polacos no Brasil, sendo a terceira maior população de ascendência polonesa no mundo, depois dos Estados Unidos e da Alemanha (MFA, 2019). Na América Latina, o Brasil é o país que concentra mais descendentes dessa etnia.

A AVENTURA DOS IMIGRANTES POLONESES PARA SAIR DA RÚSSIA

A historiadora brusquense Giralda SEYFERTH publicou um texto no qual mostra como foi importante o testemunho de pioneiros tecelões de Lódz na história da colonização em Brusque. No caso, entrevistou o senhor Carlos Haacke, chegado com sua família em 1896. A autora fez uma primeira pergunta: "Por que um número razoável de operários e técnicos da indústria de tecelagem deixou seu país, tendo como única perspectiva trabalhar na lavoura em uma terradesconhecida?

O entrevistado respondeu: "A miséria lá era grande. Ganhava-se pouco. Mal dava para viver. Quem tinha terra, plantava, quem não tinha precisava comprar carne e verdura, ainda dava para viver. Mas para pagar aluguel de casa com a miséria que ganhava, não sobrava nada.

Acrescentou SEYFERTH: Ao desemprego e à miséria, somava-se o fato de que muitas das pessoas que aqui entraram como colonos poloneses ou russos de Lódz, eram AUSLANDSDEUTSCHE, os quais em território russo, não tinha direito total de cidadania.

Prosseguiu Haacke: "Todos saímos da Polônia para a Alemanha com nome falso. Da Rússia os alemães não podiam sair.

Alguém passou na casa de Haacke, à noite e disse: "Vocês vão embora, vão passar para a Alemanha, mas não leva nada... não leva bagagem, não leva nada. E se alguém chamar vocês, não olha para o lado e nem parem, vocês vão direto. Uma vez que passou 20 metros do lugar da fronteira, então vocês podem parar. Antes não, pois vocês podem ser presos.

Tinha pessoas que forneciam documentos falsos. Tinha especialistas nisso. Então, o pessoal não devia falar alemão, para não chamar a atenção. Eles não podiam sair da Rússia, pois eram tecelões e precisavam deles lá."

O avô paterno do entrevistado já estava no Brasil e, através de cartas, recomendava ao neto que viesse, também.



FONTE de pesquisa:

"Brusque: 153 Anos de Imigr.Polonesa no Brasil" (artigo de Rosemari Glatz, publicado no Jornal Município em 19/08/2022)

"O VOO DA ÁGUIA: 150 anos de imigração polonesa no Brasil" (Rosemari Glatz).

"Uma Geografia (e Outras Histórias) para os Polacos" (Maria do Carmo Ramos Krieger)

 Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)

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