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Cemitério dos Polacos - Revista CARTUM INTERATIVA nº 171.

 Ocorrido em 1870, o primeiro óbito entre os poloneses, foi do menino João Otto).

Foi nesse ano que iniciou um vínculo emocional com a Colônia, quando os imigrantes poloneses começaram a enterrar seus entes queridos no Cemitério dos Polacos, localizado na confluência dos braços direito e esquerdo do Rio Lageado.

FONTE de pesquisa:

"O VOO DA ÁGUIA: 150 anos de imigração polonesa no Brasil" (Rosemari Glatz).

"Uma Geografia (e Outras Histórias) para os Polacos" (Maria do Carmo Ramos Krieger)

https://omunicipio.com.br/conectada-com-a-preservacao-historica-sociedade-amigos-de-brusque-celebra-70-anos/

 Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)

Segundo o historiador Aloysius Lauth, "canonicamente, o local não deveria ser reconhecido como tal, visto já haverem outros campos santos na região".

Acredita-se que os imigrantes tenham transformado um pequeno espaço em cemitério, atendendo a urgência de enterrar seus entes queridos, principalmente crianças, levando em conta a maior proximidade.



Acrescenta o Padre Eder Claudio Celva:

"O Cemitério dos Polacos, com a saída da maioria dos poloneses da localidade, foi ficando relegado ao desleixo. Já que não tinham parentes e não existiam sepulturas construídas, sendo isso compreensível.

Por volta de 1920, Ermínia Caresia, uma jovem agricultora foi fazer uma pequena roça, próximo ao local, tomado por mato bastante alto. Começou a roçar para plantar aipim. Após progredir a eito, percebeu pequenas cruzes fincadas rasamente, alagumas meio caídas e apodrecidas.

Era o Cemitério dos Polacos. Ermínia não prosseguiu com o intento da roça, pois as sepulturas eram bastante visíveis, pelo abaulado do chão.

Logo todos ficaram sabendo do acontecimento, e a revelação do local confirmou o que os velhos contavam, ou seja: a existência do cemitério."

Sucessivos empreendimentos no local não lograram êxito, pois o espaço precisava estar limpo, sem vestígio das sepulturas. Coveiros foram contratados para exumação, colocando restos mortais ali encontrados em caixas que ficaram à espera de um sepultamento digno, o que não aconteceu.

Enfim, em 1943, a urna foi levada para o cemitério paroquial de Botuverá, aonde os descendentes de italianos (chegados a partir de 1875), lhe deram digna sepultura."


Luciana Paza Tomasi segura a cruz do cemitério dos polacos, que ficava no Lageado de Porto Franco, hoje Botuverá | Foto: Luiz Antonello/O Município




Do cemitério, nada mais resta a não ser uma cruz de pedra, recolhida na sede da Sociedade Amigos de Brusque (SAB - Museu Casa de Brusque).

Nada costumava chamar mais atenção nos imigrantes poloneses do que a possibilidade da chegada da morte, especialmente quando envolvia enfermidades ou tragédias (WENCZENOVICZ, 2019). Tendo como base um documento de 16 de dezembro de 1875, Cabral (1958) explana sobre a existência de colonos polacos no território da Colônia Itajahy-Brusque em 1875 e sobre uma epidemia que matou muitos colonos. Segundo Cabral (1958), “Diversos colonos de origem polonesa, estabelecidos havia cerca de um ano e meio, à vista do pouco que poderiam obter das lavouras, grandemente prejudicadas pelas geadas e a seguir pela seca, pediram trabalhos públicos a fim de poderem sustentar suas famílias, pois a situação era desesperadora. 

Surgiram casos de varíola e de disenterias, e noticiava-se a morte de 14 colonos desses males”. Celva (2014) conclui que os casos atingidos pela moléstia parecem ser comuns e indaga: será que a debandada dos poloneses de Lageado foi motivada por alguma doença? Talvez as doenças tenham ajudado na tomada de decisão, mas os anais da história indicam que, efetivamente, Woś-Saporski foi o grande responsável pela migração dos polacos de Brusque para o Paraná, onde o clima é mais ameno do que em Santa Catarina e as terras são menos acidentadas. 

Imigrantes italianos não utilizam o campo santo dos polacos

Por algum tempo, os lotes da Linha Colonial «Sixteen Lots» devem ter ficado abandonados, até que uma terceira tentativa de imigrantes fez a localidade progredir: era a vez dos italianos, que chegaram à região a partir de 1876. Provenientes de uma Itália pobre, afeitos ao trabalho duro, e sem muito contato com escolarização e técnicas desenvolvidas, puderam enfrentar com maior vantagem a situação que se impunha. 

Ocuparam lotes onde já havia sido realizado o desmatamento parcial e o início da prática agrícola, com outros vestígios das colonizações anteriores. Novos lotes continuaram a ser abertos, sempre mais em direção das montanhas. A expansão agrícola era difícil, mas em compensação a riqueza florestal era bastante abundante. 

A exploração madeireira constituiu-se progressivamente um mercado mais rentável. A proximidade de cursos de água permitiu a instalação de moinhos e máquinas rudimentares. Os imigrantes da Itália formavam grande contingente, e muitos foram sendo endereçados às várias localidades de Botuverá. Para Celva (2014), causa estranheza, pela grande distância e inexistência de estradas, que os imigrantes italianos de ambos os Lageados - Lageado Baixo e Lageado Alto de Botuverá -, não tenham prosseguido com os sepultamentos no campo santo remanescente dos poloneses. 

Para sepultar seus mortos, os italianos se dirigiam à linha central Porto Franco, enfrentando mil dificuldades, levavam o féretro até de canoa pelo rio. Celva (2014) diz que, segundo a oralidade, os imigrantes italianos optaram por não sepultar seus mortos naquele ambiente porque, entre os descendentes dos polacos, vários teriam padecido de moléstias contagiosas; não há, porém, qualquer comprovação documental para constatar tal informação. Os italianos sepultavam no Cemitério dos Polacos apenas crianças recém-nascidas, quando era inviável levar até o cemitério da mesma etnia. É preciso levar em conta que, para bebês, as covas não eram muito profundas, nem se dava muita importância fúnebre, como a um adulto, a maioria das vezes nem velório havia. 

A não utilização do cemitério não quer dizer desprezo por parte dos italianos. Ocampo santo remanescente dos poloneses era muito respeitado; isto se externalizava pela manutenção que despendiam em favor dele. Rezavam, faziam pequenas procissões, principalmente no dia de finados. O modesto Cruzeiro em meio ao cemitério tinha a importância de uma capelinha, informa Celva (2014). Eles temiam, porém, a transmissão de doenças contagiosas pelos defuntos.

O abandono do Cemitério dos Polacos

Entre 1888 e 1890, novas famílias de poloneses foram instaladas nas mais diversas localidades de Brusque, inclusive nas três comunidades do Lageado de Botuverá, ocupando áreas em meio à etnia italiana. Celva (2014) se pergunta: “Será que estes continuaram a utilizar o cemitério de seus conterrâneos no Lageado? ”. Não se sabe. 

A maioria não permaneceu por muito tempo. Muitos, com a criação da indústria têxtil em Brusque, foram convidados para esse trabalho, o que, para os poloneses de Łódź, era um trabalho conhecido. Passados dois anos, a maior parte desta nova leva de poloneses abandonou os lotes. Algumas famílias polonesas permaneceram morando por lá e foram convivendo pacificamente com os italianos. Segundo os costumes, cabia à comunidade a responsabilidade com os mortos abandonados. 

Carneiras malconservadas e sem adornos representavam a total omissão de seus descendentes, consentindo-se em fato gerador de comoção local. Também já era costume depositar flores nos túmulos, e designar alguns minutos para rezar em prol da alma do falecido. Entretanto, com a saída da maioria dos poloneses da localidade e com a morte dos imigrantes pioneiros remanescentes, o Cemitério dosPolacos foi ficando relegado ao desleixo, já que quem estava sepultado lá não tinha mais parentes nas proximidades. 

Além disso, não existiam sepulturas construídas com cimento ou tijolos nos moldes que se usam atualmente, apenas sepulturas com abaulado do chão e pequenas cruzes, desfavorecendo a manutenção do local. As plantas tomaram conta do local, e o cemitério dos polacos caiu no esquecimento e abandono.


FONTE de pesquisa:

"O VOO DA ÁGUIA: 150 anos de imigração polonesa no Brasil" (Rosemari Glatz).

"Uma Geografia (e Outras Histórias) para os Polacos" (Maria do Carmo Ramos Krieger)

https://omunicipio.com.br/conectada-com-a-preservacao-historica-sociedade-amigos-de-brusque-celebra-70-anos/

 Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)

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