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BRUSQUE ONTEM "A Igreja Matriz" - Revista CARTUM INTERATIVA nº 159.

 As cidades são marcadas por monumentos, prédios, ruas, praças. Nomeamos como "patrimônio histórico" os bens móveis, imóveis ou naturais, que possuam um valor significativo para a sociedade. A Igreja Matriz São Luiz Gonzaga é um monumento erguido no centro de Brusque, entre 1955 e 1962. Para sua construção foi necessário demolir a igreja que havia no local, construída em estilo gótico entre 1874 e 1877 e, posteriormente, ampliada. Essa antiga igreja possuía 20 m de altura e 16 m de largura, além de uma torre medindo 25 m. Apesar de sua beleza, a capacidade da antiga igreja não se adequava à população de Brusque na década de 1950. A opção de ampliar o templo foi deixada de lado devido à declividade do terreno e a falta de espaço: era necessário um projeto totalmente novo. O arquiteto Simão Gramlich vem até Brusque, e apresenta um projeto de uma nova igreja que foi analisado pela comunidade. Simão foi o arquiteto que construiu a igreja de Azambuja e várias outras pelo estado, como também a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento em Itajaí. O estilo arquitetônico tradicional do projeto deixou a Comissão Construtora da nova igreja em dúvida.


No mesmo período, o arquiteto alemão Gottfried Böhm estava em Blumenau, projetando a Catedral São Paulo Apóstolo. O presidente da comissão Dr. Guilherme Renaux propõe que Gottfried elaborasse um projeto para Brusque. Seu projeto moderno e expressionista deixa os membros da comissão encantados. Após análise da comunidade, é decidida a construção da nova igreja. Em 24 de abril de 1955 tem início a construção da Igreja Matriz de Brusque. As obras deveriam estar prontas até 1960, ano do centenário da cidade; porém, elas avançam até 1962. As pedras que compõem a igreja foram talhadas em Volta Grande, na pedreira dos Irmãos Bittencourt, diz-se que é impossível encontrar duas pedras iguais em suas paredes. Com capacidade para mil pessoas sentadas e duas mil no total, e possui 1.375,05 metros quadrados de área construída, suas dimensões impressionam. Todavia, a beleza e importância histórica da antiga Igreja presente na memória de muitos brusquenses também causa comoção e traz à tona a discussão sobre patrimônio histórico: até que ponto substituir o passado pelo moderno vale a pena?


 Acima, a antiga Igreja Matriz de Brusque que havia no local, até 1955.



A construção da atual Igreja Matriz, no centro de Brusque, gerou uma boa polêmica pela cidade. A modernidade da arquitetura da nova igreja afrontou os padrões estéticos tradicionais de parte da população. 

Muitas pessoas olhavam para o projeto e para a construção ganhando forma e não percebiam naquela arquitetura valor religioso. Se pensarmos que a Igreja da Azambuja, muito mais tradicional, foi terminada no início da década de 50, havia a comparação entre os dois templos, uma Azambuja "religiosa" e a Igreja matriz "moderna" e sem a introspecção necessária para o exercício da fé.



Por outro lado a Igreja Matriz, embora "não-tradicional" conquista muitos brusquenses pela monumentalidade de suas dimensões, ela realmente se torna uma espécie de "ponto de fuga" da paisagem central da cidade. 

Não devemos esquecer que o prédio mais alto de Brusque até aquele momento era o "Edifício do Centenário", construído durante o período de 1960.

Afora a polêmica (que dura até a atualidade) a inauguração da Igreja em 1962 levou uma verdadeira multidão ao centro da cidade, todos estavam curiosos para poder entrar e contemplar aquela obra que passou a fazer parte da paisagem brusquense. Apesar da multidão, o arquiteto Böhm, não esteve presente na cerimônia.


Outra polêmica que surge também é a disputa velada entre Blumenau e Brusque, até hoje esta disputa existe (muito ligada ao futebol), mas várias pessoas comentam que a Igreja Antiga foi demolida para a construção da nova devido a uma "inveja" da nova Igreja em construção de Blumenau. Será verdade?



Pesquisa: Marlus Niebuhr.





Nascido em 23 de janeiro de 1920, Gottfried Böhm é autor de projetos que incluem as igrejas matrizes de Blumenau (1953-1961) e Brusque (1953-1962). “É o terceiro filho do arquiteto Dominikus Böhm, reconhecido pela construção de igrejas católicas e considerado pioneiro no rompimento da arquitetura eclesiástica em relação ao historicismo, construindo de acordo com os novos materiais e as novas ideias litúrgicas da época”, relatam Noll e Odebrecht, na apresentação da entrevista. “Por esse pioneirismo, foi nomeado, em 1952, Comendador da Ordem de Silvestre pelo Papa Pio XII”.
“A igreja de Brusque possui um caráter mais expressionista do que a de Blumenau”, contou Böhm. “

Os vitrais fui eu quem os criou. Uma empresa vitralista no Brasil executou a obra, cujo proprietário era alemão”. Böhm refere-se a Lorenz Heilmair, da Arte Sul, de São Paulo.

“Tive contato com ele, mas nunca visitei seu atelier”. Segundo Böhm, quem idealizou a construção da igreja foi o frei franciscano Brás Reuter, a quem descreveu como “uma pessoa muito agradável”

Fonte: Edição de maio/junho de 2020 da revista “Blumenau em Cadernos”.



As cidades são marcadas por monumentos, prédios, ruas, praças. Nomeamos como "patrimônio histórico" os bens móveis, imóveis ou naturais, que possuam um valor significativo para a sociedade. 

A Igreja Matriz São Luiz Gonzaga é um monumento erguido no centro de Brusque, entre 1955 e 1962. Para sua construção foi necessário demolir a igreja que havia no local, construída em estilo gótico entre 1874 e 1877 e, posteriormente, ampliada. Essa antiga igreja possuía 20 m de altura e 16 m de largura, além de uma torre medindo 25 m. 

Apesar de sua beleza, a capacidade da antiga igreja não se adequava à população de Brusque na década de 1950. A opção de ampliar o templo foi deixada de lado devido à declividade do terreno e a falta de espaço: era necessário um projeto totalmente novo. 

O arquiteto Simão Gramlich vem até Brusque, e apresenta um projeto de uma nova igreja que foi analisado pela comunidade. Simão foi o arquiteto que construiu a igreja de Azambuja e várias outras pelo estado, como também a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento em Itajaí. O estilo arquitetônico tradicional do projeto deixou a Comissão Construtora da nova igreja em dúvida.


No mesmo período, o arquiteto alemão Gottfried Böhm estava em Blumenau, projetando a Catedral São Paulo Apóstolo. 

O presidente da comissão Dr. Guilherme Renaux propõe que Gottfried elaborasse um projeto para Brusque. Seu projeto moderno e expressionista deixa os membros da comissão encantados. Após análise da comunidade, é decidida a construção da nova igreja. 

Em 24 de abril de 1955 tem início a construção da Igreja Matriz de Brusque. As obras deveriam estar prontas até 1960, ano do centenário da cidade; porém, elas avançam até 1962. As pedras que compõem a igreja foram talhadas em Volta Grande, na pedreira dos Irmãos Bittencourt, diz-se que é impossível encontrar duas pedras iguais em suas paredes. 

Com capacidade para mil pessoas sentadas e duas mil no total, e possui 1.375,05 metros quadrados de área construída, suas dimensões impressionam. Todavia, a beleza e importância histórica da antiga Igreja presente na memória de muitos brusquenses também causa comoção e traz à tona a discussão sobre patrimônio histórico: até que ponto substituir o passado pelo moderno vale a pena?

Pesquisa: Marlus Niebuhr.


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