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Sociedade Cultural e Beneficente Cônsul Carlos Renaux. - Revista CARTUM INTERATIVA nº 153 - Livreto do Cônsul.


ATENÇÃO: 

As histórias em quadrinhos contidos no Livreto do Cônsul são meramente ilustrativas não servindo como fonte de pesquisa!!


 Trecho do Anuário: "Notícias de Vicente Só", Edição nº 68 (2021) - Casa de Brusque / UNIFEBE

Para financiar projetos na área social e cultural que trouxessem benefícios para a região de Brusque , em 20/10/1936, a família Renaux criou a Sociedade Cultural e Beneficente Cônsul Carlos Renaux, conhecida entre nós como "Cultural".


Os assuntos relativos às obras de benemerência em que se ocupava e as instituições que protegia, tomavam grande parte do tempo do Cônsul, que investiu vultuosos recursos em obras, que eternizariam a sua memória. Atendia a quantos o procuravam, e apesar da sua surdez, que o obrigava ao uso de uma trompa, escutava, pacientemente, os que iam em busca de algum auxílio. Espalhou benefícios por toda parte e Brusque, principalmente, deve-lhe muito do seu progresso e da sua riqueza. 

Sua memória é objeto de geral respeito, sintetizando a lembrança de um ente que soube empregar dignamente a fortuna com que a Providência o cumulara.

Entre as entidades para as quais o Cônsul contribuía financeiramente por meio da "Cultural", está listado o Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, em Brusque: a atual construção do HACCR (antiga Santa Casa de Misericórdia) teve início em 1933. O edifício foi inaugurado em 11 de março de 1936, aniversário natalício do seu benfeitor, o industrial Cônsul Carlos Renaux, que doou uma quantia expressiva de dinheiro para a construção do hospital.

Além de contribuir para a construção, o Cônsul também destinou uma subvenção mensal de 1 Conto de Réis ao Hospital de Azambuja.

O Cônsul também fez aporte de recursos para a construção do Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio de Azambuja, no montante de 50 Contos de Réis. Em carta encaminhada, em 3/08/1940, a Dom Joaquim Domingos de Oliveira (com o qual nutria grande amizade e incondicional admiração) manifestou o seu desejo de que a memória das suas finadas esposas Johanna Maria von Schö nenbeck (Hanna) e Maria Luiza Auguste Lienhaerts (Goucki), ambas católicas, se perpetuasse dentro novo templo (Santuário de Azambuja) por uma placa (CELVA, 2019). A pedra fundamental do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio de Azambuja foi lançada em 8/12/1939 e placa em memória das duas últimas esposas de Carlos Renaux efetivamente foi colocada e ainda está afixada no Santuário.



Também a comunidade luterana recebeu aporte de recursos do "Cultural". O sonho de construir uma maternidade em Brusque começou com o empreendedor Cônsul Carlos Renaux. A comunidade evangélica doou um terreno à Associação das Damas de Caridade para a instalação da Maternidade e, em 5/01/1937, com o apoio financeiro do benemérito Cônsul, teve início a construção da maternidade, que foi inaugurada em 20/03/1938. Grande parcela da população de Brusque nasceu nesta maternidade. Em homenagem ao seu idealizador, a instituição recebeu o nome de Associação Hospitalar e Maternidade Cônsul Carlos Renaux e serviu à comunidade regional até 1963, quando foi inaugurada a nova maternidade e Hospital Evangélico. A antiga edificação que serviu de maternidade ainda existe e é considerada um dos patrimônios históricos de Brusque.

Em 1942 foi a vez da Igreja Evangélica Luterana Paróquia Bom Pastor, inaugurada em 06/01/1895, receber aporte financeiro do Cônsul Carlos Renaux. Consta que essa ação benemérita foi em memória de sua primeira esposa e mãe dos seus onze filhos, Selma Renaux, que também era luterana. A igreja passou a ter forma de cruz, e a renovação contou com a ampliação das laterais e do altar da Igreja, sendo o projeto de ampliação assinado pelo alemão Simão Gramlich. A Igreja Luterana, implantada na colina luterana, está perfeitamente conservada e é considerada um dos principais patrimônios históricos de Brusque.



O Tiro de Guerra 05-005, de Brusque, que teve nova sede construída em 1941, também recebeu doações dos Renaux. Conforme reunião do Conselho Deliberativo do Tiro de Guerra, em 19 de juno de 1940, foram feitas as seguintes doações para a construção do TG :

Cônsul Carlos Renaux : 20 contos de réis;

Carlos Renaux S/A: 10 contos de réis;

Sociedade Cultural e Ben. C.C.Renaux: 5 contos de réis;

Indústrias Renaux S/A: 10 contos de réis;

Em 12 de dezembro de 2012, o prédio do Tiro de Guerra foi o primeiro patrimônio histórico do município a ser tombado (BRUSQUE MEMÓRIA, 2021).

Entusiasta do progresso, aplicou dinheiro da "Cultural" para que Rudolfo Stutzer montasse a oficina onde acabou sendo produzida a primeira geladeira brasileira. Na pequena oficina, instalada na Rua Tiradentes, dois homens curiosos e idealistas, Guilherme Holderegger e Rudolfo Stutzer fabricavam anzóis, fios elétricos e peças para bicicletas e consertavam de tudo um pouco. Até que um dia apareceu uma geladeira a querosene, importada, para consertar. Naquela época, geladeira no Brasil era só importada, e se encontrava apenas em casa de gente muito rica. Não sobrou peça sobre peça. Os dois desmontaram a geladeira inteira, estudaram cada pedacinho e partiram para aquilo que, naquele tempo, era uma grande aventura: fabricar o primeiro refrigerador brasileiro. Holderegger e Stutzer, juntamente com Wittich Freitag e com aporte financeiro do Cônsul, do qual Stutzer era motorista e amigo, fabricaram o primeiro refrigerador, chamado Consul (escrito sem acento), em homenagem ao benfeitor. 




Quando a oficina virou fábrica, em 1950, num pequeno galpão de 680 m² na cidade de Joinville, a homenagem permaneceu e deu origem à Indústria de Refrigeração Consul. O primeiro refrigerador, chamado de Consul Júnior, que era à querosene e funcionava com resistência elétrica, logo se transformou num grande sucesso (KONS, 2012).SAIBA MAIS sobre este assunto nas páginas 24 e 25 do Livreto do Consul.

Desde a sua morte, em 28/01/1945, o Cônsul Carlos Renaux ainda é admirado pelo seu empreendedorismo e preocupação social marcada pelas vultosas doações para obras hospitalares, educacionais, desportivas e culturais.

Seu nome denomina o Clube Atlético Carlos Renaux (ex-Sport Club Brusquense), a avenida central de Brusque, o Estádio Cônsul Carlos Renaux (do Clube Esportivo Paysandu), além de outras organizações, como o HACCR. O Colégio Cônsul Carlos Renaux, uma das principais e mais antiga instituição de ensino de Brusque, da qual também foi benfeitor, também lhe presta homenagem.

Trecho do Anuário: "Notícias de Vicente Só", Edição nº 68 (2021) - Casa de Brusque / UNIFEBE

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