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CARLOS RENAUX CONDENADO À MORTE - Revista CARTUM INTERATIVA nº 153 - LIVRETO DO CÔNSUL

 ATENÇÃO: 

As histórias em quadrinhos contidos no Livreto do Cônsul são meramente ilustrativas não servindo como fonte de pesquisa!!



Texto de Rosemari Glatz, publicado no Jornal O Município de 22/07/2016. 



 Logo após a proclamação da república em 1889, o Brasil viveu tempos sangrentos de guerra civil. A Revolução Federalista, motivada pela instabilidade política durou dois anos e meio e foi uma das mais violentas e sangrentas revoltas travadas no sul do país. Na época, Floriano Peixoto era o presidente do Brasil e se colocou ao lado do governo do estado do Rio Grande do Sul (RS). Como os opositores de Floriano passaram a defender o movimento federalista no RS, o conflito acabou tendo abrangência nacional.


A Revolução Federalista teve início em 2 de fevereiro de 1893, alguns dias depois da eleição de Júlio Prates de Castilho à presidência do estado gaúcho. Os federalistas, aproveitando que a república havia acabado de ser formada e insatisfeitos com o domínio político do tirano Júlio Castilho, pegaram em armas para derrubar o governo do RS. O período, também chamado “República da Espada”, se transformou numa batalha disputada entre os federalistas (maragatos) e os republicanos (pica-paus) constituindo uma das mais violentas e sangrentas revoltas travadas no sul do Brasil.

 A guerra civil espalhou-se pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, durou 31 meses e foi marcada por atrocidades contra civis e militares.

 

Visita do General José Agostinho dos Santos à Brusque

 

Os federalistas avançaram sobre Santa Catarina, adentrando o estado e envolvendo cidades como Tijucas, Itajaí, Brusque, Gaspar e Blumenau, gerando grande impacto.  Ao discorrer sobre o assunto, Silva conta que o pânico tomou conta da população. (…) Famílias inteiras abandonaram, apressadamente, a Vila escondendo-se nas mais longínquas casas de colonos, no interior. 

Sob o comando do general Laurentino Ponto Filho, as tropas rebeldes ocuparam Blumenau. E, embora tivessem feito espalhar boletins, aconselhando os que haviam se retirado a regressarem aos seus lares, garantindo-lhes a integridade física e a de seus bens, não deixaram de se verificar sérias represálias e atos de violência contra alguns moradores. 

Vários republicanos, que não quiseram, ou não puderam seguir com as forças legais, foram presos e suas casas depredadas e saqueadas. O jornal “Blumenauer-Zeitung”, que tão corajosamente e galhardamente se vinha batendo ao lado dos republicanos, foi empastelado. Parte de suas máquinas e tipos foi atirada ao rio e parte remetida para Desterro. As coleções encadernadas e o estoque de papel foram queimados.

 Carlos Renaux, um dos chefes republicanos, negociante e industrial de Brusque, também foi preso e submetido a Conselho de Guerra que terminou por condená-lo à morte por fuzilamento. Contudo, graças à enérgica interferência de seu ferrenho adversário político – Elesbão Pinto da Luz, a sentença foi anulada (História de Blumenau, José Ferreira da Silva, 1972), e assim Renaux não se somou à estatística dos mortos daquela revolução.

 A Revolução Federalista também ficou conhecida como a “Revolução da Degola” pois para poupar armas e munições o degolamento era comum, tendo sido vitimadas aproximadamente 2 mil pessoas, entre federalistas e republicanos. Entre as degolas e os fuzilamentos (execuções sumárias praticadas com requintes de crueldade por ambos os lados) foram vitimadas cerca de 10 mil pessoas, mortandade sem paralelo na história do Brasil. A Revolução Federalista terminou no governo de Prudente de Moraes, quando este, em 23 de agosto de 1895, assinou um tratado de paz na cidade de Pelotas (RS), estabelecendo a derrota definitiva dos federalistas e concedendo anistia aos envolvidos.

 

Como se viu, em tempos de guerra, às vezes somos salvos pelo inimigo.

Texto de Rosemari Glatz, publicado no Jornal O Município de 22/07/2016. 

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