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Habitações Coloniais - Revista CARTUM INTERATIVA nº 151


Quem nunca viu aquelas lindas casinhas no campo, feitas com tijolos e madeiras atravessadas? O Enxaimel, é uma "técnica de construção" tradicional que consiste em paredes montadas com hastes de madeira encaixadas entre si em posições horizontais, verticais ou inclinadas. O construtor media e enumerava a madeira para amarração - canela, peroba, jacarandá - usando então, uma simples talhadeira e muita habilidade manual para confeccionar os encaixes. Depois, o carpinteiro levantava os pilares e as escoras, ajudado pela família do proprietário e vizinhos disponíveis. Preenchia-se, a nível, a amarração com tijolos adquiridos ou ali confeccionados. Àquelas alturas, as tábuas largas do assoalho já se encontravam assentadas. Outra característica típica é a grande inclinação dos telhados. Temendo-se a ruptura das paredes, colocava-se o telhado nos dois lados da casa ao mesmo tempo. Essa vitória era comemorada com uma festa, e algumas folhas verdes de palmito balançavam na cumieira decorando a construção.




Interiormente, cuidava-se da estética da sala de estar e do quarto de casal. Se as paredes não eram cobertas de reboco, os tijolos vermelho, junto do madeirame escuro, com janelas altas e estreitas, de boa iluminação e ventilação, compunham ares de aconchego. Não era comum usar janelas de vidro porque este era importado. As instalações sanitárias ficavam distante da casa, uns 15 metros, normalmente sobre um córrego. Os tirantes de madeira dão estilo e beleza a essas construções, que eram muito comuns, principalmente em nossas paisagens rurais. Em nossa região devido às chuvas e muita umidade, foi necessária a implantação de uma estrutura feita de pedra que sustenta as construções, evitando que a madeira se molhe. O enxaimel, assim como o conhecemos, tem origem na região da atual Alemanha durante a Idade Média. 

Pesquisa: Marlus Niebuhr. - LAUTH, Aloisius Carlos. Pesquisa e estudo das Casas de Enxaimel no Vale do Rio Itajaí-Mirim.In: Revista Vicente-Só: Brusque ontem e hoje. Brusque Gráfica Bandeirantes/SAB - Ano IV, julho, Agosto e Setembro, nº 15, 1980. p. 58.

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