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Artefatos Coloniais - Revista CARTUM INTERATIVA nº 152

 


Com o passar dos dias acabamos mergulhando numa rotina e não nos damos conta de como o desenvolvimento tecnológico tornou possível que hoje realizemos tarefas extremamente complexas de maneira tão simples. O dia a dia foi tão transformado pela tecnologia que se torna difícil imaginar a vida sem ela. Será que você conseguiria passar uma semana sem seu smartphone ou computador? Que tal você se imaginar um dia na colônia Brusque, no começo do século XX? A primeira atividade de um colono ao acordar seria esvaziar e limpar seu penico. Este objeto era muito utilizado, pois o banheiro das residências ficavam do lado de fora, distante da casa. Depois disso era hora de acender o fogão a lenha. O ritual consistia em abrir o baú, que guardava a lenha picada, colocar um pouco dessa madeira no fogo e acendê-la utilizando papel, azeite e tampa de panela, abanando para fazer o fogo pegar depressa. Depois de aquecer a água o café era preparado, utilizando um coador de pano, que quanto mais velho, mais sabor daria à bebida. Então, os homens deixavam a casa para o trabalho e iniciavam-se, por parte das mulheres, as atividades domésticas.




Cuidava-se da horta com enxada, rastelo, pá, etc., dos quais se adquiria apenas a parte de metal, e o cabo do utensílio era preparado e encaixado em casa. As tarefas de limpeza eram feitas com sabão caseiro, o chão era varrido com vassoura de palha, e caso houvesse assoalho, ele era encerado, utilizando-se um pano especial. Durante as atividades domésticas, o fogo era mantido em brasa até que no momento da preparação do almoço fosse adicionado mais lenha fazendo-o "pegar" novamente. Panelas de ferro ou outros metais eram poucas, pois custavam muito caro. Mesma situação dos talheres. Não existiam potes de plástico: apenas "gamelas"(espécies de travessas de madeira). A dona de casa reservaria a tarde para trabalhos em seu "terreiro" ou para as atividades de corte e costura, com suas agulhas ou máquinas de costura movidas à força do pedal. Os chuveiros elétricos não existiam, e o banho era de "canequinha" ou na banheira com água aquecida na chaleira. O último membro da casa a fazer sua higiene era o mais prejudicado, pois era obrigado a utilizar a água já turva devido ao banho de todos os seus familiares. Ao apagar das luzes era hora de deitar na cama de colchão de palha ou de molas, e posicionar o penico novamente abaixo dela.


(pesquisa: Carlos E. Michel)“Artefatos Coloniais” – A Vida Cotidiana no Brasil Nacional, Org. Marilza Elizardo Brito, Centro de Memória da Eletricidade, 2001.

SOALHEIRO, Bárbara. Como fazíamos sem... Disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/invencoes-como-faziamos-433682.shtml . Acesso em 29 out. 2014.

Entrevista com Doralice Michel. Em 25/10/2014.

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