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A CHEGADA DA BELMONTE - Revista CARTUM nº 139



A embarcação “Belmonte” saiu do porto de Desterro (atual Florianópolis) seguindo para o de Itajaí, ancorando longe do porto. Os imigrantes são levados por escaleres a bordo. O dia está amanhecendo, nublado e um pouco de vento sul. Em terra um forte movimento de pessoas. Moradores locais, trabalhadores do porto (negros escravos, libertos, negros cozinhando já cedo...) começam a chegar os imigrantes com suas malas.

Após o discurso do Presidente da Província de Santa Catarina Araújo Brusque... do Barão de Schneeburg... Major Alvim... mais alguém... Lembrar que os imigrantes falam o alemão e os tripulantes do navio português. Alguns eram negros.
Chegam ao porto de Itajaí. Preocupação dos condutores da embarcação. Chega o prático que com tranquilidade escapa das pedras e coloca o navio em frente à Vila. Major Alvim desce e o barco continua até a barra do Mirim com o Açu. Ali está o barracão dos imigrantes. Graças, chegamos! Alegria geral. Desembarcam.


Às 4 horas da tarde é servido o jantar (acho que a bordo, mas não tenho certeza). Em certo momento o Barão pede licença a todos e propõe que a colônia seja batizada com o nome do presidente da província: Colônia Brusque. O presidente diz que não quer, se esquivando da homenagem. Ao final do jantar, o médico da armada, Dr. Joaquim Monteiro Caminhoá propõe um brinde e também pediu para que o nome da nova colônia fosse Colônia Brusque (faz um belo e longo discurso). Novamente o presidente negou. Não gostou da ideia.


O Major Alvim foi quem batizou a Colônia de Colônia Itajahy, brindando com uma garrafa de vinho com a marca Constanza, a qual estava escondida no navio e alguém achou e usou para o brinde. Os colonos são instalados e recebem a notícia de que terão que subir o rio e viajar por mais alguns dias, em canoas!!!!
Os nomes das famílias a bordo naquele dia são:

1. Augusto Höfelmann – lavrador e tecelão, 28 anos, luterano, natural da Prússia. Casado com Ana Maria Scheitman, de 28 anos, também luterana. Filhos: Pedro, Guilherme e Luiza.
2. João Wilhem – lavrador, com 58 anos. Católico, natural de Hessen (Darmstadt). Casada com Margarida Ritsch, de 47 anos, também católica. Filhos: Simão, Carlos, Eva, Margarida,  Nicolau, João e João Sebastião.
3. Frederico Guilherme Neuhaus – lavrador e cutileiro, com 36 anos, luterano, natural da Prússia. Casado com Elisa Margarida Isaac, de 35 anos. Filhos: Frederico, Gustavo, Emílio, Augusto e Ema.
4. João José Scharfenberg – alfaiate, com 32 anos, católico e solteiro. Casado com Catarina Elisabeth Riesevick, de 45 anos. Filhos: José, Henrique, Antonio e Maria. Acompanhou a família um agregado, João Zimmer, com 49 anos, de religião católica.   
5. Frederico Orthmann – lavrador, de 33 anos, luterano, natural da Prússia. Casado com Joanna, de 28 anos. Filhos: Frederico, Beate, Emilio e Ernesto (gêmeos).
6. João Germano Boiting – lavrador, de 41 anos, natural da Prússia. Católico, casado com Maria Therback, de 35 anos. Filhos: João Antonio, Elisabeth, Bernardo, Germano e José. Uma filha do casal faleceu em Itajaí, com 15 meses (ou anos?), no dia 27 de julho de 1860.
7. Jacó Morsch – lavrador, com 45 anos, natural da Prússia. Católico casado com Cristina Amália Flecker, de 32 anos. Filhos: Francisco, Henrique e um bebê recém-nascido.
8. João Ostendarp – lavrador e carpinteiro, com 45 anos, natural da Prússia. Católico casado com Maria Catarina Sebbing, de 51 anos. Filhos: José e Henrique.
9. Daniel Walther – lavrador, de 50 anos, luterano, viúvo, natural da Prússia. Filhos: Gustavo, Alberto e Joana.
10. Luis Richter – lavrador, com 41 anos, luterano. Casado com Henriqueta Bartels, de 33 anos. Filhos: Ernesto, Emil e Guilhermina.
A esposa de Luiz Richter e mais 3 filhos, relacionados na primeira leva ficaram em Petrópolis.
Uma filha do casal João Germano – Maria Boiting, contando 15 anos de idade, falece em Itajaí no dia 27 de julho.
Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)

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