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A GRANDE FAZENDA FLORES

No mapa baixo, se apresenta a distribuição de terras do território onde hoje fica a cidade de Gaspar. As terras do latifundiário Henrique Flores compreendiam toda a região assinalada com o número "5". Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam). PRIMEIROS IMIGRANTES A Colônia São Pedro de Alcântara foi instalada em 1º de março de 1929 e foi a primeira colônia de imigrantes alemães de Santa Catarina. A colônia está situada onde hoje está situado o município São Pedro de Alcântara e sua população era formada por migrantes alemães, em sua maioria, católica. Os colonos aí instalados migraram para outras regiões, alguns deles se instalaram às margens do rio Itajaí-Mirim e outros foram para o vale do Itajaí-Açu, onde lançaram os fundamentos das povoações de Belchior e Pocinho – hoje município de Gaspar. “(...)As condições de viagem no século 19, em especial antes do surgimento do navio a vapor e do trem, eram longas e difíceis. A emigração ao Brasil durava muitos ...

NOS TEMPOS DA MADEIRA

A exploração da madeira nas terras de Gaspar A extração de madeira foi uma das principais atividades econômicas realizadas nas primeiras décadas do povoamento das terras de Gaspar, onde os primeiros povoadores encontraram uma vasta e rica floresta, composta por enormes árvores. Desde as mais remotas referências a vegetação do Vale recebeu especial atenção dos viajantes que logo perceberam a qualidade e abundância da madeira existente, e não demoraria muito para que passassem a explorá-la com fins comerciais. Adentrando a floresta os trabalhadores procuravam pelas melhores árvores, as mais altas, de tronco reto e de melhor qualidade como canela e cedro. Com a força dos braços, golpeavam o tronco com machados ou faziam uso de serras manuais até que, horas depois, a árvore era derrubada. Como cenas de uma batalha épica travada entre homens versus natureza, os gigantes da floresta foram derrotados, um a um. O ressoar dos machados contra o lenho prenunciavam o estrondo que t...

OS ENGENHOS DO VALE

Memórias de Henrique Pedro Zimmermann “Em volume de produção, predominava o açúcar mascavo, seguido de aguardente. Houve uma época em que, em Gaspar, se contavam mais de seiscentos engenhos de açúcar e alambiques. Aliás, os alambiques sempre foram um complemento quase necessário para a exploração econômica dos engenhos de açúcar, pois a sua matéria-prima era quase exclusivamente o melaço que escoava do açúcar, que depois de condensado, era posto em grandes recipientes de madeira de fundo perfurado, donde vertia o melaço e escorria para os grandes cochos.” “De começo de Abril até o mês de Setembro, nos engenhos, reinava uma grande atividade. Primeiro era a mandioca que era transformada em farinha; logo em seguida iniciava-se a moagem da cana de açúcar. Era uma temporada de atividade incessante, pois o trabalho dos colonos iniciava-se, normalmente, às quatro horas da manhã e eguia até a noite. Mas era uma segura fonte de renda a todos que se entregavam a esta atividade, p...

A CHEGADA DA TROPA DE PEDESTRES

Entre flechas e espingardas: conflitos e confrontos nas terras do Itajaí-Açu Com o objetivo de dar proteção aos colonos e inibir a presença dos Xokleng no Vale do Itajaí, o Governo da Província de Santa Catarina criou, em 1836, a Companhia de Pedestres. Este destacamento militar seria utilizado para (...) explorar e correr os matos, nos oito meses que decorrem de setembro a abril; fazer picadas de comunicação; proteger, auxiliar e defender os moradores de qualquer assalto dos nativos, perseguindo-os até seus alojamentos. Preconizava-se ainda que, em situação extrema, era recomendado que aniquilassem todos. Com a criação das Colônias no Itajaí-grande e no Mirim, criadas a partir da Lei nº 11 de 5 de maio de 1835, e o aumento de moradores brancos – colonos – nos territórios povoados pelos Xokleng, os conflitos tornaram-se iminentes. Os colonos buscavam por terras férteis, onde pudessem se instalar e alojar a família para plantarem e explorarem os recursos naturais. As terras ti...

OS HABITANTES DA FLORESTA

TERRITÓRIO XOKLENG: NAÇÃO DE CAÇADORES/COLETORES ENTRE O PLANALTO E O LITORAL CATARINENSE Muito antes de serem construídas as estradas pela quais circulamos atualmente, antes mesmo de serem levantadas as primeiras construções de tijolos e do estabelecimento dos primeiros moradores brancos, estas terras já eram povoadas pelos Xokleng, povo nômade   de caçadores/coletores que nos meses de primavera e verão desciam a serra e ocupavam as vastas áreas de Mata Atlântica do litoral catarinense e também do Vale do rio Itajaí-Açu em busca de alimentos. Os Xokleng formavam um grupo cultural com regras e costumes próprios desenvolvidos para a vida nômade. Como não praticavam a agricultura, tinham que mudar o local de moradia com frequência, a fim de encontrarem frutos para coleta e animais para a caça. Por dependerem da caça e da coleta para sobreviverem, não podiam permanecer por muito tempo em um mesmo lugar, pois com o passar dos dias os animais disponíveis para a caça dimi...

OS PRIMEIROS COLONIZADORES

  Cel. Agostinho Alves Ramos (tela de Willy Zumblick - Museu Histórico de Itajaí)   Colônias de Belchior e Pocinho No ano de 1836 teve início um projeto de colonização no Vale do Itajaí-açu aprovado pelo Governo da Província de Santa Catarina, em que concedia ao então Deputado Agostinho Alves Ramos, estabelecido na Freguesia do Santíssimo Sacramento – atual cidade de Itajaí – duas áreas de terras para fundação de duas colônias. O governo provincial deseja, com essa iniciativa, atrair trabalhadores para povoar as terras ao longo do Itajaí-Açu, como também ao longo do Rio Itajaí-Mirim. Estas colônias foram criadas e regulamentadas pela Lei de 5 de maio de 1835. Foi a primeira ação no sentido de criar e organizar uma colônia no rio Itajaí-Açu. O personagem principal, Agostinho Alves, possuía uma casa comercial na Freguesia do Santíssimo Sacramento, e sua intenção em criar um fluxo migratório ...

AVENTUREIROS À PROCURA DE OURO

AVENTUREIROS E EXPLORADORES NO RIO ITAJAÍ-AÇÚ: A PROCURA PELO OURO As histórias sobre os primeiros povoadores e da procura por ouro no Vale do Itajaí se confundem e, muitas vezes, uma é fruto da outra. Documentos antigos registram a presença de aventureiros e exploradores já no século XVII, quando a população não indígena destas terras mal contava algumas dezenas. Devemos lembrar que o Brasil é, nessa época, uma colônia portuguesa. Assim, os portugueses buscavam por metais preciosos – ouro e prata – e quaisquer informações ou relatos sobre o assunto eram investigados. A navegação ocorria com paradas em São Francisco e Nossa Senhora do Desterro, mas é provável que navios portugueses e até mesmo espanhóis, que nos séculos passados, navegavam com frequência em direção à Ilha de Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis) e ao Rio da Prata, tenham ancorado à barra do Itajaí-Açu e ali efetuado buscas por ouro. Mas se o fizeram, não podemos afirmar, pois escassos são os documentos rel...