O cotidiano, o corriqueiro, o normal muitas vezes foge ao nosso olhar. Com o passar dos dias acabamos mergulhando na rotina que criamos para nós mesmos e não nos damos conta da multiplicidade de experiências com as quais nos envolvemos.
O dia a dia foi tão transformado e naturalizado pela tecnologia que se torna difícil imaginar a vida sem ela... será que você conseguiria passar uma semana sem seu smartphone ou computador?
Um jeito de ter uma noção de todas estas transformações é pensar em um dia na colônia Brusque no começo do século XX.
A primeira atividade de um colono ao acordar seria esvaziar e limpar seu penico. Este objeto era muito utilizado pois o banheiro das residências, as privadas, ficavam do lado de fora das casas. Após isto era tempo de acender o fogão à lenha.
O ritual consistia em abrir o caixão que guardava a lenha picada, colocar um pouco desta madeira no fogo e acendê-la utilizando papel, azeite, tampa de panelas abanando e o que mais fosse necessário para fazer o fogo pegar depressa.
Após aquecer a água o café era preparado utilizando um coador de pano, que quanto mais velho, mais sabor daria à bebida.
Café-da-manhã chegava ao fim e surgia o momento em que os homens deixavam a casa para o trabalho e iniciava-se por parte das mulheres as atividades domésticas.
Cuidava-se da horta com a enxada, rastelo, pás, e todo o tipo de ferramenta. Geralmente adquiria-se apenas a parte de metal, sendo que o cabo do utensílio era preparado e encaixado em casa.
As tarefas de limpeza eram feitas com sabão, o chão era varrido com vassoura de palha e caso houvesse assoalho, ele era encerado utilizando-se um pano especial.
Durante as atividades domésticas o fogo era mantido em brasa até que no momento da preparação do almoço fosse adicionado mais lenha fazendo-o "pegar" novamente.
A comida preparada em panelas de ferro ou outros metais que custavam muito caro, por isso sempre havia um número reduzido delas, mesma situação dos talheres.
Não existiam potes, apenas "gamelas", espécies de travessas de madeira. As facas eram amoladas com muito cuidado e preparo do almoço seguia.
A noite era o momento da janta e também do banho. Os chuveiros elétricos não existiam e o banho era de "canequinha" ou na banheira com água aquecida na chaleira. O último membro da casa a fazer sua higiene era o mais prejudicado, pois era obrigado a utilizar a água já turva devido ao banho de todos os seus familiares.
A higiene bucal também era diferente, a escova de dente com cerdas de nylon só foi popularizada após a II Guerra Mundial, sendo que antes disso as pessoas adaptavam escovas com palha, galhos de madeira com a ponta amassada, palitos, hortelã esfregado nos dentes com os dedos entre outras estratégias.
Durante a noite era o momento de colocar a conversa em dia ou de sentar ao redor do rádio e ouvir as notícias e novidades musicais. O descanso ao final do dia acontecia mais cedo, pois a iluminação geralmente era à base de lampiões.
A iluminação elétrica era requinte das ruas centrais e das famílias mais abastadas. Ao apagar das luzes era hora de deitar na cama de colchão de palha ou de molas e posicionar o penico novamente estrategicamente abaixo da cama.
Confira alguns utensílios que eram comuns naquele tempo:
Roupas de tecidos de segunda ou sacos de comida
espelhos
pentes
toalhas
crochê
óculos/monóculo
artefatos de couro
ferraduras
pregos
telhas
máquina de moer
carrinho de mão
carro de mola
carro de boi
chicote
botas
caneta tinteiro
Pesquisa: Carlos Eduardo Michel.



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