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CRÔNICA: Mas Por Quê Abrir Um Livro? - Revista CARTUM INTERATIVA nº 168.

 


Um hábito muito comum do século passado está ameaçado de extinção atualmente: a leitura de livros. Já não se encontra livrarias e bancas de revista tão facilmente como outrora já existiu. Muito por conta do tempo livre, que está ficando curto pra todo mundo, onde o relógio rege impiedosamente nossas atividades diárias: os inúmeros compromissos devoram parte de nosso dia e as horas ociosas acabam sendo dilapidadas pelo uso descontrolado da internet. 

Vagarosamente a leitura física está perdendo o seu espaço para as telas luminosas. A navegação na grande rede tornou-se o vício moderno que seduz e entretém os internautas, mantendo muitos deles conectados por mais tempo que deveriam. Como alguém vai conseguir abrir um livro mediante tantas opções virtuais?

Livrarias e bibliotecas são como um imenso buffet, onde o leitor faminto consulta as opções disponíveis e escolhe o tema que lhe convém. Se pegar gosto e a leitura fluir, ele devora tudo e não deixa nada no prato. Mas inúmeros motivos podem levar a leitura a encalhar e o recheio contido naquela obra jamais será digerido, gerando um desperdício intelectual.

A prática da leitura é mais do que folhear páginas e decifrar símbolos impressos: é preciso estabelecer um diálogo, mesmo que distante, entre leitor e escritor: raciocinando sobre a lógica contida em cada palavra e mergulhando de cabeça na narrativa.

Quando leio, coloco a imaginação pra trabalhar: eu me esforço para visualizar em minha mente as informações mencionadas sobre cada personagem, objeto ou cenário, com suas cores e detalhes. Chego a sentir os odores e ouvir os ruídos que são descritos pelo autor. Quando leio, me transporto para dentro da história. Mais do que isso, quando leio analiso outras formas de pensar diferentes da minha, porém sem me apegar a elas. 

Ao longo da leitura, chego a raciocinar como se eu fosse algum dos personagens existentes na trama, vivenciando situações as quais possivelmente eu jamais venha a conhecer na vida real e desenvolvendo uma compreensão maior sobre possibilidades que até então desconhecia, mas que são vividas por outros. Esta compreensão também é conhecida pelo nome de “empatia”.


Praticar a imaginação pode até parecer uma brincadeira um tanto infantil. Porém, tal exercício fortalece dentro de nós a criatividade e a capacidade de lidar com o desconhecido, imaginando situações que nos levem a encontrar soluções frente ao inesperado. 

Crianças que praticam a imaginação, transformam-se em adultos com a criatividade mais potente. E adultos que praticam a imaginação nunca perdem o poder explorador que toda a criança possui.

Um livro nos leva a raciocinar sobre o tema e a trama. Fortalece nossa memória através de detalhes fornecidos nos primeiros capítulos e que são resgatados em capítulos posteriores. Nos acrescenta informações que antes não conhecíamos e, também, estimula nossa imaginação e criatividade. 

Enquanto a tela luminosa também faz tudo isso, mas na maioria das vezes nos reduz a meros espectadores, como na “Alegoria das Sombras Na Caverna”, de Platão.

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