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Nacionalismo Forçado - Revista CARTUM GASPAR nº 07

 


Quando o Brasil entra para a II Guerra Mundial, junto aos Aliados, em 1942, a perseguição que já existia contra os imigrantes se torna ainda mais severa. O uso da língua estrangeira (especialmente alemã, italiana e japonesa), a posse de objetos, fotografias, livros... ligados a nacionalidade dos inimigos, passa a ser crime. 



Suspeitos de defenderem ou serem simpatizantes da causa nazista são perseguidos e presos, seus bens são tomados pelo governo, eles eram conhecidos como “quinta-coluna” (expressão que designa o estrangeiro que no Brasil age em favor do nazifascismo). 

Quem era pego muitas vezes era submetido a tortura, interrogatórios e julgamentos sumários. Uma prática comum era obrigar o suspeito a tomar líquidos como o óleo de rícino, que provocava disenteria e uma série de malefícios ao organismo. 

O direito de ir e vir destas pessoas é controlado pelo governo, passa a ser necessário uma autorização para transitar pelo país. Entre 1942 e 1943, foram realizadas 1227 detenções e 27 inquéritos por uso de idioma alemão e italiano em Santa Catarina, sendo que a maior parte dos casos se deu no Vale do Itajaí. 

Até mesmo campos de concentração passaram a existir no país, cerca de 3000 pessoas foram confinadas neles durante a guerra. Em Santa Catarina o campo oficial ficava no bairro da Trindade em Florianópolis.

A política nacionalista torna a cultura estrangeira um crime. Isto gera um trauma nos imigrantes e descendentes pois sua identidade é arrancada e substituída por um falso sentimento de brasilidade construído pelo medo e imposição do governo.

 


O uso da língua alemã não era aprovado por membros do governo brasileiro e, a partir da década de 1910, passou a ser combatido pelas autoridades governamentais. Nesta década começaram tentativas de eliminar o idioma, por meio de subsídios a escolas particulares que lecionassem somente em português. 

No livro "Nacionalização do Vale do Itajaí", o militar Rui Alencar Nogueira, participante da campanha de nacionalização, classificava Blumenau como "cidade esquisita", porque a língua alemã era usada "sem constrangimentos", inclusive nas repartições públicas, e completava: "parecia incrível que pudéssemos penetrar numa cidade, dentro do nosso próprio território, onde nos sentíssemos contrafeitos". 

Sentimento compartilhado pela escritora cearense Rachel de Queiroz na crônica Olhos Azuis, publicada em 1949 na revista O Cruzeiro. A autora escreveu: "(...) a sensação que tem é de estar em país estrangeiro, e país estrangeiro inamistoso. E essa sensação nos é transmitida não só pela cor do cabelo e dos olhos dos habitantes, não só pelos nomes que se ostentam nas placas das lojas e dos consultórios, não só pelo estilo arquitetônico, é, antes e acima de tudo, pela fala daquela gente (...) fala mal, com sintaxe germânica, com uma pavorosa pronúncia germânica (...) Alguém tem que dar um jeito nesse problema enquanto ele não se vira drama".


Com a campanha de nacionalização de Getúlio Vargas, as escolas germânicas foram fechadas. Falar línguas estrangeiras em público tornou-se crime. Em um contexto nacionalista, a língua portuguesa, para o Estado Novo, era a única língua nacional, e o uso de idiomas de outros imigrantes era uma "anomalia a ser aniquilada".

Foi um período de grave intolerância, onde muitas injustiças foram cometidas covardemente e motivadas por uma guerra que estava incrivelmente acontecendo lá do outro lado do oceano, afetando inocentes com a crueldade que uma guerra exige.

 

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