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Pré-História de BRUSQUE - "Um Camponês Alemão" - Revista CARTUM INTERATIVA nº 187.

 



A maior parte dos imigrantes que vieram ao Brasil eram agricultores em sua terra natal. Dedicavam-se ao trabalho na lavoura, plantando e colhendo conforme as estações do ano. Muitos não possuíam terras e trabalhavam como arrendatário (aquele que aluga uma área de terra mediante pagamento) ou nas terras de um senhor. 

A maior parte da produção era voltada para o consumo da família e o excedente era comercializado. Nos pastos criavam alguns bois e vacas, às vezes duas ovelhas de onde tiravam a lã para produção das roupas. 

A vida não era fácil, principalmente nos meses de inverno, onde a quantidade de alimento diminuía e a madeira disponível nem sempre era suficiente para aquecer o interior das casas, fato que obrigava muitos camponeses a roubarem a lenha para se abastecer. Essas difíceis condições de vida forçaram muitos alemães a emigrarem para a América, e muitos deles vieram ao Brasil.


Neste quadro vamos apresentar a descrição feita por um camponês da região do Schleswig-Holstein (Alemanha), em meados de 1850, sobre o dia a dia em um vilarejo:

“Por dois anos eu estive em Busloh. Dois anos que na minha lembrança parecem tão interessantes porque neles simplesmente não ocorreu nada, mas realmente nada que um ser comum pudesse conceber como um acontecimento fora do normal. 

A vida transcorria, eu apenas vivia e trabalhava. Nós trabalhávamos, comíamos, dormíamos e trabalhávamos de novo, bem assim como os cavalos de carga: “Hü”, “Hott” e “Prrr”. Longe da aldeia e da cidade, aqui um dia passava após o outro no ritmo eterno e uniforme de um moinho. 

De madrugada, às 4 horas começava o trabalho e no inverno terminava às 18 horas, no verão, conforme as ordens, às 19, 20 ou 21 horas. Assim se passavam as coisas, entrava dia, saía dia, sem nenhuma variação que não aquela trazida pelo trabalho”.

Texto adaptado in: RENAUX; Maria Luiza. O outro lado da História: o Papel da Mulher no Vale do Itajaí 1850-1950. Editora da FURB, 1995. Pag. 22-23.

Pesquisa: Robson Gallassini (in memoriam)

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